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MAR

TRF manda Caixa pagar R$ 400 mil de indenização a caseiro Francenildo

A Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou por unanimidade nesta quarta-feira (25) recurso da Caixa Econômica Federal contra condenação e determinou que o banco pague R$ 400 mil de indenização ao caseiro Francenildo dos Santos Costa. A decisão ainda pode ser contestada no Superior Tribunal de Justiça.

O caseiro processou a Caixa Econômica Federal por danos morais devido à quebra de seu sigilo bancário e envio de informações ao ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci. Em 2010, a Justiça Federal do Distrito Federal deu ganho de causa a Francenildo Costa e condenou o banco a pagar uma indenização de 500 mil. A Caixa Econômica recorreu contra a decisão, assim como o caseiro, que pediu um valor maior.

Na apelação, a defesa da Caixa Econômica Federal alegou que "não houve quebra de sigilo, mas somente sua transferência" ao então ministro da Fazenda, Antônio Palocci. O advogado Eduardo Pinheiro também argumentou que a indenização estipulada pela Justiça foi "excessiva".

O advogado Wilcio Nascimento, que representa Francenildo, afirmou que o banco cometeu "ato ilegal" e que o valor da indenização foi a forma encontrada para "mostrar a indignação de um cidadão que teve sua vida exposta e subjugada a uma série de ações".

 Em 2006, em depoimento a CPI dos Bingos, Costa afirmou ter visto Antônio Palocci na casa em que trabalhava. O local seria frequentado por lobistas, empresários e prostitutas, e teria sido palco de partilha de dinheiro obtido com corrupção. A Caixa quebrou o sigilo bancário do caseiro e enviou as informações a Palocci sem que houvesse uma decisão judicial.

Na conta do caseiro, constava um depósito no valor de cerca de R$ 40 mil. À época, parte da base governista e da imprensa especulou que o dinheiro seria referente a pagamento pelas acusações feitas por Costa. Depois, ficou comprovado que o valor foi transferido pelo pai dele.

"Quando ele se envolveu nessa história, em momento algum ele fez mediante a promessa de recebimento de qualquer quantia de dinheiro. Ele simplesmente respondeu a pergunta que foi feita [na CPI] e não tinha intenção de receber nenhuma quantidade. Isso não foi premeditado", declarou o advogado de Francenildo.

O ex-ministro Antônio Palocci acabou demitido pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi acusado pelo Ministério Público de ter ordenado a quebra do sigilo. A denúncia, no entanto, foi arquivada em 2009 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

'Indenização para coibir'
Em seu voto, o relator da ação, desembargador Souza Prudente, afirmou que a Caixa "de forma ilegal, brusca, abusiva, para não dizer imoral, violou os direitos" do caseiro. Prudente disse também considerar o valor inicial da indenização (R$ 500 mil) "correto" e seria uma forma de "coibir" o que chamou de "ferramenta abominável de intimidação" praticada pelo banco e por Palocci.

O desembargador, Edvaldo Oliveira Filho, no entanto, discordou do valor indenizatório e sugeriu a quantia de R$ 300 mil. Diante do impasse, os três desembargadores presentes na sessão concordaram em estipular a indenização em R$ 400 mil. Essa quantia será corrigida por juros e encargos previstos desde 2006, data do início da ação. Segundo a defesa de Costa, atualmente, o valor corrigido gira em torno de R$ 1 milhão.

O advogado do caseiro considerou a sentença "positiva". Ele informou que ainda analisará o caso para saber se irá recorrer às instâncias superiores. O advogado da Caixa não falou com a imprensa após o jugamento.

Em entrevista após o julgamento, Francenildo Costa concordou com a posição do advogado.

"Eu estou começando a colher a verdade. Eu não tenho intenção de enriquecer, como tinha gente dizendo. Mas a quebra de sigilo aconteceu, então tem que ter uma indenização, mas o que vier eu aceito", afirmou o caseiro.

Fonte: G1

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